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26/01/2010 às 10:40
Rouquidão em Trinca Ferro: Que doença é essa!?

Prezados leitores e amigos! Já estava com saudades de escrever para vocês. Hoje conversaremos sobre rouquidão. Neste último mês creio que foi o recorde absoluto de atendimentos a trincas roucos, sendo a grande maioria de Torneios. Isso me leva a algumas perguntas. Será que foi o tempo frio e chuvoso aqui no RJ?!  Será que é  próprio de Trinca Ferro isso?! Vamos começar esclarecendo alguns ´´mitos e lendas´´ de forma bem objetiva. Pivite nada tem haver com rouquidão. Pivite nada mais é do que um espessamento na ponta da língua do passaro em decorrência de uma alimentação inapropriada, mas isso será o assunto na nossa próxima coluna prometo.

 

Aí vocês me perguntam: ´´Então Dr Felipe por que meu trinca ferro fica rouco? É verme?´´ A resposta também é que não. O verme a que muitos se referem que acometem os pássaros é o Syngamus trachea e os sinais clínicos envolvem normalmente dipneia. É uma outra longa história... Então pivite é uma coisa, Singamose é outra coisa e rouquidão é outra coisa. São totalmente distintos desde sua sintomatologia até o agente etiológico envolvido.

 

Então vamos começar a nossa reflexão de hoje. Toda ave possui um órgão que vibra com a passagem do ar chamado siringe, que está localizada no termino da traquéia e início dos brônquios. Então qualquer alteração neste órgão leva a uma passagem de ar com dificuldade, ocasionando um  timbre diferente. As causas de comprometimento da siringe envolvem infestação por ácaros, micoplasmose e principalmente uma evolução bacteriana. Logicamente expor a ave a alimentos gelados e correntes de ar também são causas comuns, mas independente disso sempre haverá um fator perpetuante e quase sempre é uma bactéria envolvida. Então Dr Felipe é só dar antibiótico que vai ficra bom? Também não é assim que vai funcionar. Existem antibióticos muito bons para este sitio respiratório e digo ainda que nenhum se encontra em Pet Shop na dosagem correta, são eles: amoxicilina com clavulanato de potássio, norfloxacina e ciprofloxacina. A idéia é levar informação e conhecimento e não fazer com que pratiquem automedicação até porque não passei a dosagem a vocês e não vá pensando que a medida é uma tampa de caneta... isso não existe!

 

Os sintomas de um Trinca rouco é a voz fanhosa ou ainda a perda da voz parcial ou total. Caso não tratado a evolução é sempre crônica levando a ave a outros problemas de saúde. O interessante é se lembrar que o pus na ave não é fluido igual ao do mamífero e sim caseoso parecendo muito mais uma massa compacta. Daí usar somente antibióticos no tratamento não surtirá efeito. Devem ser associados expectorantes (guaifenesina), broncodilatadores, antiinflamatórios analgésicos, anestésicos e outros medicamentos visando aumentar a imunidade da ave. É uma miscelânea de medicamentos com certeza. 

 

Se você possui uma ave em boas condições de saúde você deve evitar algumas armadilhas não expondo sua ave a correntes de ar, evitar deixá-la em locais mais frios como banheiro e cozinha, evitar o canto após um dia de torneio. Não se esqueça que aves que disputam Torneio de canto devem ser tratadas como atletas e devem possuir um acompanhamento especializado de forma contínua.

 

O diagnóstico correto do agente etiológico envolvido na rouquidão irá conduzir a melhor terapêutica, mas o fato mais importante é que seu Trinca Ferro deve ficar encapado e sem estimulo para o canto por pelo menos 2 meses. A qualquer sinal de anormalidade com sua ave procure um médico veterinário especializado.

 

O tratamento é longo (2 meses) e o índice de sucesso é bem grande. Como o tratamento envolve antibióticos muitas vezes temos um repasse de penas que é normal acontecer o que atrasa no desenvolvimento da ave naquele ano. Rouquidão não é esse pavor todo que muitos dizem, o tratamento é longo e chato, mas no final é gratificante com certeza e a cura é completa em 90% dos casos.

 

Despeço-me por aqui e deixo como reflexão a seguinte frase do O Diaário de um Mago: ´´ Ensinar é mostrar que é possível. Aprender é tornar possível a si mesmo´´. Um grande abraço e até a próxima!

 

Foto de Divulgação: Fogo Selvagem em visita à clínica antes do inicio da temporada.

 

 

 

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   Dr. Felipe Victório de Castro Bath

   Médico Veterinário CRMV-RJ 8772

Especialista em Biologia, Manejo e Medicina da Conservação dos Animais Selvagens

  Mestre em Microbiologia Veterinária pela UFRRJ

 

  Tel.: (21)81014122/ (21)22786652

www.niaas.com.br / felipebath@hotmail.com

Consultas/Cirurgias no Núcleo de Internação para Aves e Animais Silvestres com Hora Agendada

Rua Haddock Lobo, 452 Lj B Tijuca Tel.: 32341775

 

 

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